O que sobrou dentro de mim?
Existem, se pudessemos classificar, dois tipos de pessoas: as árvores, e os passarinhos. O primeiro grupo de pessoas são aquelas que nascem, reproduzem e morrem sem sair da mesma cidade ou região. Porquanto que eu me encaixo no segundo grupo, pessoas que não conseguem se estabelecer num lugar só, estão sempre a procurar onde se encaixar, e são levadas pelas ondas do mar.
Vemos as coisas de uma forma diferente, pois as árvores fazem o amor ser uma poesia, inspirada na calma e virtude da paciência, os passarinhos tentam amar antes que o próximo inverno chegue, e por isso tenham que migrar para longe de seus amores.
Eis que muitos não entendem a nossa forma de amar, desconfiam e desacreditam, por julgar que somos árvores, e sem nos entender ou nos conhecer, acabam por pensar que nossa premiditação é mero acaso de uma ilusão fantasiosa de qualquer outro sentimento. Mas se assim fosse, porque mesmo depois de ter passado este inverno, e distante de ti, sou incapaz de pensar noutra, fico me recordando e sentindo saudades…
O que sobrou dentro de mim, senão um carinho não correspondido, um amor desentendido, e uma esperança que se foi… Sou um passarinho perdido, cujos ventos me norteiam, mas meu coração se recorda de ti.
Por Lucas.
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